Medir



Olá Dri, vou iniciar esta carta dizendo que escrever pra você me deixa um pouco tímida.
Mas hoje escolhi ser ousada, deixei a timidez de lado, fingi, esqueci, ignorei! Afinal, é você quem diz que "o único jeito de acabar com os monstros imaginários é o desprezo."
Pois...

Então me conta, como estão as coisas por aí? Os gatos, as leituras, os escritos... Ah que saudade de ler seus escritos!

Aqui tudo segue na mesma... Sabe aqueles dias que a gente não se suporta de um jeito que dá até preguiça de olhar no espelho, sabe?!

Acontece mais ou menos assim, metade de mim é vontade, a outra metade é preguiça, uma pitada de insegurança também, tomando meu corpo.  Apesar de você já ter me explicado muito bem a diferença das duas.
Você sabe... "Dia quer, dia não quer. É um verbo de lua." Combina bem comigo!

Insegurança é quando de olhos vendados, temos que atravessar sozinha uma avenida movimentada.
Preguiça, nesse caso, é um estar lento, manso, sereno, como se o corpo fosse nossa casa (e não deixa de ser). É isso, é quando entendemos o corpo como moradia e queremos só ficar ali, curtindo cada espaço desse lugar. 
Às vezes, na preguiça, não desprezamos os monstros imaginários e deixamos a insegurança tomar conta, fazendo a gente preferir ficar deitada em vez de correr a avenida, mesmo que de olhos vendados ou não.

Anda tudo muito confuso aqui... Mas aos poucos vou melhorando Dri, montando o quebra-cabeça da vida... Entendendo melhor o outro, os outros e a partir daí, deixando essa insegurança de lado. Às vezes me pego enfrentando os monstros, sendo valente, grande e forte feito uma árvore. Mesmo que monstros machuquem!

Dizem que é na dor que mora o aprendizado. Eu até concordo! Mas prefiro ir por outros caminhos, sempre lembrando que "pena que as soluções mais fáceis nem sempre são as melhores para todos."

Pois bem, minha amiga, essa conversa tá meio troncha né? Meio sem pé nem cabeça...
É que as vezes funciono como o querido Doravante, vem "tudo isso juntodeumavez."

Mas na verdade escrevi pra contar que entre escolher Desatino do Norte ou Desatino do Sul, prefiro ficar no Meio do Mundo. Só que para sobreviver no Meio do Mundo, minha amiga, preciso saber com quantos metros de angústia se faz um nó?


Beijos, Lua.

Destinatário: Adriana Falcão.
Aspas: Luna Clara & Apolo Onze

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